A incompreensivel realidade africana.
16 de Outubro, 2008
Texto publicado na integra no Jornal de Tijucas (www.jornaltijucas.com.br Edicao 371)
Portugues e Italiano (Sotto)
De uma olhada nas novas fotos no nosso ultimo album!!! Fotos
Depois de quase tres semanas em Dar Es Salaam, a espera de nossos “pacotes” do Brasil e da Italia, retornamos a estrada. E como proximo destino Zanzibar, um paraiso historico e tropical com praias de beleza cenica indescritivel. Nao viamos a hora de poder usufruir um pouco da vida de praia, distante cinco meses nas frias aguas atlanticas na costa namibiana. A prescindir da imensa tristeza ao nos despedir dos nossos simpaticos e carinhosos anfitrioes, Frank e Augusto, alemao e italiano respectivamente, o demais soava perfeito, maravilhoso. Mas como todas as belas historias possuem no minimo um “porem”, a nossa nao poderia ser diferente. E diga-se de passagem, um “porem” grandioso, escrito em letras maiusculas. No nosso ultimo final de semana em Dar Es Salaam, fomos convidados por Augusto para usufruir um pouco mais do seu pedaco do paraiso a beira mar. Apos sairmos do ferry boat, na pequena vila de Kigamboni, teve inicio o nosso pesadelo a olhos abertos. Na estrada, avistamos um enorme grupo de pessoas, rindo, fazendo barulho, extremamente euforicas, bloqueando metade da pista. A principio nao entendemos o porque da manisfestacao, esclarecida apos a aproximacao: um corpo de um jovem, semi nu, jazendo sobre uma imensa poca de sangue, coberto apenas com algumas folhas de palmeiras. Imediatamente pensamos se tratar de um atropelamento, algo compreensivel em um pais onde o respeito dos motoristas para com os pedestres e ciclistas praticamente nao existe. Augusto para o carro exatamente ao lado do corpo, e um jovem, extremamente exaltado, em um mixto de furia e alegria, explica o ocorrido. O jovem estendido no chao acabara de ser morto a pedradas e pauladas, por ter realizado um furto mal sucedido!!! (Longa pausa para respiro e reflexao!!!). Imediatamente um silencio pertubador abateu-se sobre o carro. Percebemos que todos queriam fazer um comentario, falar algo, mais a perplexidade foi tamanha que as bocas simplesmente calaram. Sim, a populacao local havia feito justica com as proprias maos, algo bem comum em toda a Africa. Talvez se o mesmo rapaz houvesse obtido sucesso em seu delito, mesmo que tivesse sido uma galinha ou uns poucos xilings (moeda local), seria idolatrado nos arredores, admirado por sua esperteza e ousadia. Do contrario, condenado a pintar o asfalto e as palmas com seu sangue. A Africa sem duvidas era assim, uma terra de extremos, contradicoes ao maximo, onde a linha que separa o ceu do inferno, pode ser tao tenue, que um desavisado nao a percebe e quando muito nao a entende. Assim quem procura por reflexoes mais profundas, “por ques?” infinitos, pode incorrer no risco de cair em um abismo sem fim. E foi assim que nos sentimos o dia todo, com a imagem do corpo coberto de sangue e pedras indo e voltando continuamente em nossos pensamentos. Muitos agora podem naturalmente pensar em o quanto a Africa e violenta, perigosa, e dos riscos que corremos viajando-se de maneira tao exposta sobre nossas bicicletas. Ate o presente momento nao nos sentimos de maneira alguma sobre ameaca, tensao, ou qualquer outro tipo de sensacao indicativa, de que estivessemos incorrendo contra nossas vidas. Pelo contrario, na maior parte dos lugares que passamos, encontramos apenas muita hospitalidade, carinho e respeito. Porem (mais uma vez!!!), de maneira alguma este estado mais primitivo do ser, e consequentemente da sociedade, passou-nos desapercebido. Ouvimos inumeras historias sobre pessoas acidentadas, muitas vezes a beira da morte, que sao assaltadas sem o menor escrupulo, quando esperam em vao por uma ajuda que na maioria das vezes nunca chega. Ou entao, sobre as experiencias de vida das inumeras mulheres africanas econtradas, as verdadeiras guerreiras e colunas da sociedade e da economia, que desde o seu primeiro dia de vida sao fadadas e treinadas a serem maes. Maes que lavram incessantemente os campos, buscando o sustento para sua infinita prole de filhos, netos e sobrinhos (estes ultimos quase sempre orfaos da AIDS), enquanto os homens, em sua grande maioria, preocupam-se apenas em beber e propagar doencas, em uma promiscuidade sem fim. E quando colocamos em evidencia estes aspectos da dura sociedade africana e que realmente percebemos o quanto somos inaptos a entende-la. Naturalmente tentamos aplicar pre conceitos de comportamento e conduta que nao fazem o menor sentido aqui. Apenas exemplificando esta impotencialidade, certo dia um missionario como mais de 40 anos de Africa nos disse : ”Meus caros quanto mais tempo estou aqui, quanto mais convivo e mais proximo estou dos africanos, menos entendo eles…”. Assim, nos resignamos a unica possivel decisao de assistir tudo como mero expectadores. Aproveitamos tambem para pedir desculpas aos leitores sobre este texto um pouco “pesado”, mais profundo que o habitual, muito alem do panorama turistico, mas de muita importancia no entendimento deste complexo caleidoscopio social. E certa vez quando tentamos explicar em um de nossos ensaios no nosso site (www.eurovias.com.br) sobre o quanto selvagem era a Africa para nos, era exatamente disto que estavamos falando. E infelizmente tivemos que esclarecer e reforcar nossas ideias e percepcoes, atraves do triste exemplo de um corpo estendido no chao, ao contrario de um estendido sob o sol de um belo paraiso tropical…
Neste ultimo trecho da viagem entramos foram encontrados outros viajantes que fazem experiencias semelhantes a nossa (Ver tambem Links Interessantes na coluna ao lado!!!
World Biking Africa - Casal de franceses Eric e Amaya que estao fazendo todo o giro da africa em bicicleta.
Mundo por Terra - Site de Roy e Michelle, um casal de catarinenses que esta dando a volta ao mundo em carro.
Cycle Generation - Casal alemao em viagem de bicicleta pela Africa, promovendo a bicicleta e outros ideias ecologicamente corretas como solucao para maior parte dos problemas ambientais do mundo.
Italiano
Testo pubblicato integralmente nella rivista Jornal de Tijucas (www.jornaltijucas.com.br Edizione 371)
Date un’occhiata alle nuove foto dell’ultimo album!!! Fotos
L’INCOMPRENSIBILE REALTA’ AFRICANA
Dopo quasi tre settimane a Dar Es Salaam, in attesa dei pacchi dall’Italia e dal Brasile, abbiamo ricominciato a pedalare. La meta successiva, Zanzibar. Un paradiso tropicale, ricco di storia e di spiagge di una bellezza indescrivibile. Sinceramente non vedevamo l’ora di poter fare un po’ di vita di mare. L’avevamo visto l’ultima volta in Namibia, piu’ di cinque mesi fa e l’acqua dell’Atlantico non e’ delle migliori per godersi un bel bagno.
E’ stata dura salutare gli amici fatti a Dar Es Salaam. Augusto, italiano, e Frank, tedesco, ci hanno davvero accolti nel migliore dei modi, facendoci sentire sempre a casa e in buona compagnia. La nostra permanenza a Dar e’ stata perfetta, ma ogni storia ad un certo punto presenta un “ma” e la nostra non poteva essere da meno. Durante l’ultimo fine settimana a Dar Es Salaam, Augusto ci ha invitati con altri amici nella sua meravigliosa casa al mare, un vero paradiso, davanti a uno degli ultimi tratti di spaiggi ancora interamente preservati di quest’area. Dopo aver preso il ferry per Kigamboni ha avuto inizio il nostro incubo ad occhi aperti. Al bordo della strada principale si erano ammassate una cinquantina di persone. In un vocifarare misto di euforia e di spavento stavano bloccando il traffico. Non riuscivamo a capire cosa fosse accaduto. Una volta raggiunto il gruppo di persone abbiamo visto il corpo di un giovane uomo, seminudo, che giaceva su una pozza di sangue, coperto da qualche foglia di palma. Il primo pensiero e’ stato un incidente, cosa piuttosto comune da queste parti visto il rispetto pressoche’ nullo per i pedoni e i ciclisti. Augusto ha fermato la macchina vicino al corpo per terra e ha chiesto cos’era successo. Un ragazzo, in un misto di furia ed allegria, ci ha spiegato l’accaduto. L’uomo che giaceva sull’asfalto era stato appena ucciso. Era stato lapidato perche’ aveva rubato. Immediatamente un lungo e profondo silenzio ha invaso la macchina. Ognuno di noi avrebbe voluto dire qualcosa, fare un commento, ma nessuno ha osato aprir bocca. Nel villaggio di Kigamboni si erano fatti giustizia da soli, e in Africa non e’ poi cosi’ raro. Forse se il furto fosse andato come il ladro sperava (e quando si parla di furto in questi casi si tratta magari di qualche gallina o di una modesta somma di denaro contante), oggi verrebbe considerato come una persona furba e capace. Ma le cose sono andate diversamente ed e’ stato ucciso a sassate. L’Africa e’ anche questo. Una terra di estremi, di contraddizioni profonde, dove la linea che separa la vita dalla morte e’ cosi’ sottile da risultare il piu’ delle volte incomprensibile. Quando si cerca di rispondere ad alcuni “perche’”, si finisce per cadere in riflessioni infinite, senza una soluzione vera e propria. Durante tutta la giornata l’immagine di quell’uomo steso al suolo e il pensiero delle pietre con cui era stato ucciso continuavano a tronare ai nostri occhi. Probabilmente molti di voi adesso staranno pensando che l’Africa e’ un paese pericoloso, violento e se non sia pericoloso viaggiare in bicicletta come stiamo facendo. A dire il vero finora non ci siamo mai sentiti in pericolo, o in situazioni in cui potessimo rischiare la vita. Al contrario, nella maggior parte dei luoghi che abbiamo attraversato ci siamo sentiti accolti, benvoluti e rispettati. Ma (ancora una volta “ma”), questo aspetto per cosi’ dire primitivo della societa’ ci ha realmente colpiti. Abbiamo sentito diversi racconti di persone che in seguito ad un incedente stradale sono state letteralmente spogliate, ritrovate al bordo della strada senza piu’ vestiti e nessuno dei propri valori, assaltate in fin di vita, nel momento in cui un aiuto le avrebbe magari salvate.
Un’altro aspetto non trascurabile della societa’ africana sono le donne, vere e proprie colonne portanti della struttura sociale ed economica. Vengono in un certo senso preparate ad essere madri dai primi giorni di vita. Sono madri che lavorano incessantemente nei campi o inventandosi dei piccoli lavoretti, come vendere qualsiasi cosa sulla strada. Devono sostentare la famiglia. I figli sono sempre tanti, specialmente se ad essi si aggiungiono anche i nipoti. Il numero di orfani a causa dell’Aids e’ impressionante, quindi un nucleo familiare spesso si prende cura dei nipoti che hanno perso i genitori. E’ vero che non si puo’ mai generalizzare, ma gli uomini in Africa si prendono ben poche responsabilita’ nei confronti della famiglia. L’alcolismo e’ un problema molto serio in tutta l’Africa, cosi’ come la promiscuita’ sessuale, un circolo che sembra perpetuare all’infinito l’Aids e altre malattie.
Nel momento in cui ci si rende conto di questi aspetti della societa’ africana attuale, si realizza quanto sia incomprensibile. Va da se’ che istintivamente la si giudica con dei criteri di comportamento che qui non hanno nessun senso. Questa impasse si riassume in quanto abbiamo sentito affermare da un missionario che vive e lavora in Africa da quasi 40 anni. Ci ha confessato infatti che quanto piu’ vive in mezzo agli africani e quanto piu’ conosce a fondo la loro cultura, quanto meno riesce a capirli. Siamo rassegnati all’essere meri spettatori di quanto accade. Forse questo testo e’ risultato un po’ piu’ pesante del solito, diverso dalle descrizioni dei paesaggi mozzafiato che si vedono da queste parti. Tuttavia e’ importante pensare anche a queste cose per avere un quadro piu’ realistico di questa complessa realta’. Quando abbiamo descritto l’Africa come un posto selvaggio, ci riferivamo esattamente a questi aspetti. Purtroppo abbiamo dovuto rinforzare nuovamente una riflessione gia’ fatta, questa volta attraverso un corpo morto in mezzo alla strada e non steso al sole di un paradiso tropicale.
Nell’ultimo mese abbiamo incontrato altri viaggiatori che stanno facendo esperienze simili alla nostra, in bicicletta e in automobile (Vedi i link nella colonna a lato - Links Interessantes!!!
World Biking Africa - Una coppia franco-americana che sta facendo il giro di tutta l’Africa in bicicletta.
Mundo por Terra - Sito di Roy e Michelle, una coppia brasiliana che sta facendo il giro del mondo in automobile (4×4).
Cycle Generation - Una coppia di tedeschi, partiti in bicicletta dall’Etiopia in viaggio verso il sud del continente africano, che sta promuovendo la bicicletta e altre idee ecologicamente corrette.

3 Comments Add your own
1. Priscila | Outubro 28th, 2008 at 7:59
Narbal, aqui em Floripa fizeram mais algumas ciclovias - embora sem um planejamento adequado, pois os carros e ciclistas ficaram sem saber de quem é a preferência em certos pontos. E estão comentando bastante aqui sobre a necessidade de ciclovias. Haverá na UFSC, 04 de novembro de 2008 às 19h00, a palestra “CICLOVIAS, A necessidade de um urbanismo sustentável”.
Tua experiência por aí deverá acrescentar muito por aqui.
Abraços!
2. Priscila | Outubro 28th, 2008 at 8:07
Primeiro comentei, depois é que fui ler esse post. Nossa, que pesado! Pelo modo como você descreveu, tive a sensação de estar na cena.
3. José "custela" Soares | Novembro 3rd, 2008 at 14:52
eae casal.. é triste sim, ler isso, saber disso, mas por outro lado, nos deixa de frente com a realidade.
Contiuem pedalando, e nos ensinando um pouco mais desse mundão, fico na torcida para que nos próximos relatos, os fatos sejam melhores, que tenham bastante alegria. Porque de uma coisa tenho certeza, por onde vocês passarem, a alegria será semeada.
Um grande abraço a vocês.
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