Paciencia

21 de Janeiro, 2009

english

Portugues e Italiano (Sotto)

Portugues

De uma olhada nas fotos exclusivas sobre este novo texto!!! Fotos

Confira tambem o ultimo servico publicado no Jornal de Tijucas (www.jornaltijucas.com.br Edicao 385)

Paciencia

Natal de 2008, montanhas do norte da Etiopia. Momento propicio para meditar, refletir sobre paciencia. Especialmente hoje que tive o dia mais dificil, o mais estressante com as mal educadas criancas etiopes. Ate o momento sempre tentei levar na esportiva, mas hoje perdi a linha, e se tivesse obtido sucesso nas minhas “n” investidas contra as pestinhas nao sei o que teria acontecido. Porem aqui estou no meu terceiro natal longe de casa, minha terceira passagem de ano se aproximando, mais distante do que nunca da terrinha. Agora, quase perto do final, preciso muita paciencia para superar a distancia dos entes, a falta do meu barro, da minha terra e que seus odores fazem a mim. A Etiopia tambem perfuma, cheira incenso, café, pimenta (berebere), frutas, esgoto, lixo e urina. E assim mesmo, tudo mesclado, indissociavel. Tambem cheira a injeera, uma especie de pao “em folha” local feito com tef, um cereal que so cresce nas altas terras etiopianas. Aqui os opostos caminham mais juntos e proximos do que nunca, separados talvez por uma linha tao sutil quanto as finas injeeras. E um pais unico, incrivel, talvez o melhor lugar da Africa e do mundo para se explicar e vizualizar as tao famosas discrepancias entre classes. E Addis Abebba, a gigante inquinante capital exprime perfeitamente o visual mais cru e verdadeiro desta triste realidade Africana e mundial. Crua e perigosa como os teree segas e kitfos, a carne crua tao venerada pelos etiopes que pode alimentar bem como trazer malatias. Pobres em uma mendicancia sem fim, como jamais vi em outro lugar, e ricos, muitos diretores de multinacionais dirigindo seus super carros em meio a buracos, esgoto e desesperados aos montes pelo chao. Alias os engravatados aumentam juntamente com a media de 6% anual de crescimento do PIB. Um crescimento um tanto quanto justificavel, sem muita base e equidade, mas que nos dias de hoje significa sifras, lucros a uma infima minoria. Durante meus infindaveis machiattos (café) e bolos, minhas quentes e variadas injeeras de cada dia, deixava a paciencia rolar, sem nunca perder de vista os sempre incapazes mendigando, outros tantos vasculhando o lixo em meio a nova praga africana chamada plastico, e centenas jogando conversa fora o dia todo, dias afora, sem saber o que fazer. E que paciencia que tem, a espera do que, e o pior de quando? Tive que tambem ter muita paciencia com a revolucao interna explodida em raiva no meu encontro com o maximo da ignorancia coletiva dos etiopes do norte. Ignorancia conveniente aos poucos ricos etiopes que comecam a reaparecer como abelhas no mel, tentando reaver um pouco do jubilo dos tempos reais de Haile Selassie, o onipresente. Privilegio de sangue azul perdido com a chegada do sangue vermelho comunista por parte de Menguistu, o ultimo ditador, amigo dos russos e de Fidel. Agora com a volta de um outro estracalhante “ismo” (capitalismo selvagem ao extremo), os senhores tentam recuperar um poucos seus feudos, usufruindo e muito da ainda maioria campesina. E tenho que ter paciencia, e tentar manter fechada minha boca, desejando que o “menino” bem aventurado nascido a muitos anos atraz me perdoe por isto. Ele com certeza entendera, pois foi um que sempre teve a lingua afiada contra todas as injusticas aos semelhantes. A esperanca chamada “revolucao Obama”, presenciada na mae Quenia, nao passou a fronteira e nao deu o ar da ressureicao mundial por estes lados. A unica forma aparente de transformacao vem dos olhinhos puxados com qualidade questionavel, do outro lado do mundo. Fato e que sao praticamente os unicos a vir aqui e a fazer concreto, literalmente, independente dos meios que usam para tal. E assim, quietos, parte da Africa ja e deles…Ainda neste devago, neste exercicio de paciencia embalado pelas duras montanhas, continuei minha retrospectiva africana. Sem duvidas perdi minha peciencia muitas vezes, nas esquinas deste imenso continente. Algumas vezes nas esquinas do vento contra, bradando a eternidade. Outras na extrema proximidade das pessoas, curiosas, interesseiras, amigas, inimigas, onde a ja escassa privacidade, momento importante de auto confissao perde-se em esfumutura. Infortunadamente com Francesca, devido talvez a ausencia de sensibilidade, excesso de proximidade, talvez ainda pela presenca de egoismo (um viajante em bicicleta e um egoista de certo modo sempre!!!), ou simplesmente pelo encontro de fortes personalidades. Sem paciencia tambem nas subidas infinitas, nas estradas ruins, ou nas duas ao mesmo tempo. Na relizacao de que o corpo tem limites, e que nao respeita-los pode custar um preco muito alto. Nas raras, mas marcantes, duras e infinitas estadias sobre camas de lugar algum, recuperando-se de doencas, sempre mais duras psicologicas do que fisicamente. Paciencia extrema nos infinitos pedidos de dinheiro, nas mais diversas linguas, desde de Cape Town, ate aqui (Etiopia), por uma tambem paciente e conformada legiao de flagelados. Paciencia tambem com a minha tambem flagelada bicicleta, mas que jamais me abandonou nestes 13 intensos anos de cumplicidade. Parece ter adquirido a habilidade de quebrar onde sempre era conveniente, e quando nao, testando e confiando na minha capacidade de improviso (mais uma vez paciencia e criatividade para superar o impossivel em meio ao nada, sem recursos). Tive e muita paciencia para me conter frente as atrocidades que os queridos compatriotas italianos cometeram aos pacificos etiopes. Pude assim realizar a verdadeira dimensao de Mussolini, figurando o quanto era pequena e doente sua figura. E voltando as criancas neste dia de natal, as subidas do norte etiope pareciam nao ter mais fim quando ordes delas caiam literalmente sobre a bicicleta, com uma pontaria certeira, sempre desesperadas, sem paciencia, testando a minha. Talvez elas estejam certas, fartas com a impassividade dos pais e com os sorrisos imoveis e constantes das maes “mulas”, sempre carregadas com lenha, graos ou agua. Talvez nao tenham mais paciencia de esperar o que nunca melhora, o que chega a mente pela parabolica, e que se afasta cada vez mais das maos. Mais um vez, agradeco quem sabe o “revolucionario e anarquista” por ter feito-me entende-las, sem justifica-las e claro. Daqui a mais alguns dias estarei partindo deste belo pais, sem um retorno certo. O fato e que pelo bem e pelo mal, tive que ressucitar e repitir esta virtude inumeras vezes, algo basico e fundamental viajando-se tao expostamente em cima de uma bicicleta. Assim pelo que sofri, pelo que aprendi, Etiopia e toda Africa, vos agradeco eternamente. Meu sincero obrigado, neste novo e incerto ano que comeca, sempre repleto de esperancas…

Italiano

Date un’occhiata alle nuove foto > Fotos e all’articolo pubblicato nel Jornal de Tijucas (www.jornaltijucas.com.br Edizione 385)

Pazienza

Natale 2008, altipiano nord etiope. Un’occasione perfetta per meditare, per riflettere sulla pazienza, soprattutto dopo una giornata come quella di oggi, tra le più dure e stressanti coi bambini etiopi. Fino ad ora l’ho sempre presa sportivamente, ma oggi ho davvero perso la pazienza e mi sono trattenuto per poco. Ad ogni modo sono qui. E’ il mio terzo Natale lontano da casa. Si sta avvicinando il terzo Capodanno e sono più lontano che mai dalla mia terra. Adesso, quasi alla fine del viaggio, ho bisogno di tanta pazienza per superare la distanza dalla mia famiglia e la nostalgia della mia terra, dei suoi odori. Anche l’Etiopia profuma. Profuma di incenso, caffè, peperoncino (berbere), frutta, fogna, spazzatura e piscio. E’ davvero così, una mistura unica e inseparabile. Profuma anche di ‘njeera, uno degli alimenti nazionali per eccellenza, una sorta di crèpe fatta con il tef, un cereale che cresce solo sull’altipiano etiope. Da queste parti gli opposti sono più evidenti e vicini che mai, separati forse da una linea sottile quanto una ‘njeera. E’ realmente un paese unico, incredibile, forse uno dei migliori posti in Africa e nel mondo per guardare da vicino il divario tra le classi. Addis Ababa, la grande ed inquinata capitale etiope, esprime perfettamente questa triste realtà, cruda e pericolosa come il tere sega ed il kitfo, le specialità adorate dagli etiopi a base di carne cruda, che possono alimentare bene come provocare malattie. Moltissima gente chiede l’elemosina, come non ho mai visto da nessun’altra parte, persone ricche e benestanti guidano macchine moderne nel bel mezzo di fogne a cielo aperto e di disperati che vivono in mezzo alla strada. I colletti bianchi aumentano parallelamente alla media del 6% del PIL, una crescita comprensibile, ma non equa e che riguarda una piccola fetta privilegiata della popolazione. Mentre bevevo i tanti makkiato e mangiavo fette di torte e ‘njeera, osservavo la gente che mendicava, sdraiata sui marciapiedi in pieno giorno, in mezzo ai rifiuti e alla nuova piaga africana chiamata plastica, gente che passa la giornata fuori, sulla strada, conversando, senza sapere che fare. Osservavo paziente questa scena, riflettendo su quanta pazienza dovessero avere anche loro, aspettando all’infinito qualcosa. Ho dovuto portare molta pazienza in seguito alla rabbia interna provocata dall’ignoranza collettiva incontrata sugli altipiani del nord dell’Etiopia. Ignoranza conveniente ai pochi ricchi che, come api sul miele, cercano di accaparrarsi il più possibile, un po’ come accadeva ai tempi di Haile Selassie, quando i privilegi del sangue blu erano a totale discapito della maggioranza. Dopo il colpo di stato di Mengistu, l’ultimo dittatore, amico della Russia e di Fidel, gli equilibri feudali dei tempi di Selassie si sono rovesciati, ma oggi il capitalismo dilaga e fa leva sulla maggioranza contadina. Devo esercitare la pazienza e controllare la mia rabbia, sperando che il “bambino” nato molti anni fa, avventurandosi su questa terra, mi perdoni. Sono sicuro che mi possa capire, lui che più di chiunque altro ha sempre avuto la lingua affilata nei confronti delle disuguaglianze. La speranza chiamata Obama, celebrata grandiosamente in Kenya, sembra non aver oltrepassato la frontiera e dato quell’aria di cambiamento che si respira da altre parti. L’unica apparente forma di cambiamento, di qualità decisamente discutibile, sembra arrivare dall’altra parte del mondo e ha gli occhi a mandorla. Per mezzo di politiche convenienti e poco lungimiranti, i cinesi arrivano qui, costruiscono e s’insediano. Una parte d’Africa è completamente nelle loro mani. In quest’esercizio della pazienza sulle durissime montagne etiopi ho continuato la mia retrospettiva africana. Senza dubbio ho perso la pazienza svariate volte in molti angoli sperduti di questo immenso continente. A volte a causa del vento contrario, altre in prossimità di gente curiosa, interessata, più o meno amichevole, che mi privava della poca privacy che si ha viaggiando in bicicletta. Sfortunatamente ho perso la pazienza con Francesca, forse per mancanza di sensibilità, eccesso di vicinanza, e anche a causa del mio egoismo (una persona che viaggia in bicicletta in qualche modo è sempre egoista!), o forse semplicemente per l’incontro di due forti personalità come le nostre. Ho avuto poca pazienza durante quelle salite che sembravano infinite, o su orribili strade sterrate, per non parlare di queste due condizioni contemporaneamente; davanti al fatto compiuto che il corpo ha dei limiti e che non rispettarli può costare molto caro; durante le rare ma significative soste forzate a letto, cercando di riprendermi da infortuni, cosa più difficile da accettare psicologicamente che non fisicamente. Sono stato paziente con le continue richieste di soldi nelle più svariate lingue da Cape Town fino a qui, in Etiopia, da parte di un’altrettanto paziente esercito di persone disagiate. Ho avuto pazienza con la mia bicicletta, acciaccata, ma che non mi hai mai abbandonato nel corso di questi 13 anni di complicità. Sembra quasi aver acquisito la capacità di rompersi al momento giusto e, quando non è stato così, pareva farlo per testare la mia abilità nell’improvvisarmi meccanico e nell’essere paziente e creativo in situazioni improbabili, nel bel mezzo di niente e con pochissimi attrezzi. Ho avuto molta pazienza di fronte alle atrocità che gli italiani hanno compiuto contro i pacifici etiopi, potendo constatare quanto fosse piccola e malata la figura di Mussolini. Tornando ai bambini in questi giorni vicini al Natale, le salite del nord dell’Etiopia sembravano non avere mai fine quando orde di loro si riversavano addosso alla mia bicicletta come forsennati, con ben poca pazienza, come per testare la mia. Forse sono comprensibili, saturi della passività dei padri e dei sorrisi immobili e costanti delle madri, cariche come mule, trasportando per chilometri legna, grano o acqua. Forse questi bambini non hanno più la pazienza di aspettare che qualcosa migliori, o di aspettare qualcosa visto e desiderato alla TV, che si allontana sempre più dalla loro portata. Ringrazio, senza giustificare ovviamente, il “rivoluzionario e anarchico” per avermelo fatto capire. Tra qualche giorno lascerò questo paese, senza un ritorno certo. Nel bene e nel male ho dovuto esercitare la pazienza moltissime volte, virtù fondamentale viaggiando in bicicletta, quando si è così esposti a ciò che ci accade intorno. Per quel che ho sofferto ed imparato, Etiopia e Africa, vi ringrazierò eternamente! Un grazie sincero all’inizio di questo nuovo ed incerto anno, sempre colmo di speranza.

1 Comment Add your own

  • 1. beto de porto belo  |  Fevereiro 9th, 2009 at 20:03

    que loucura cultural Narbal, estivesmos com o Marcinho em Porto Belo e falamos muito de você e do Galego, sucesso para todos e obrigado por nos dar a oportunidade de conhecermos o mundo através de sua aventura
    Abraços Beto, Adri, Maria Luiza e Maria Eduarda minhas filhas.

Deixe um comentário

obrigatório

obrigatório, oculto

Acompanhar comentários via RSS


Calendário

Setembro 2010
« May    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Posts recentes