Roteiro
Europa
África
Europe is the continent with the most ancient tradition as far as bicycle is concerned. With no doubt it is the continent which has the major quantity of cycle tracks all over the world, therefore it represents the ideal model to achieve the goal of this project.
Since every country has its own characteristics, we had to plan our journey dividing it in stages.
FIRST STAGE: PORTUGAL AND SPAIN

The journey will start in the capital of Portugal: Lisbon. It will continue southwards in the region of Faro to enter in the south of Spain. The southern region of Spain will be covered until the city of Valencia where the entrance in the central part of the country will begin in order to arrive in the capital: Madrid. At that point we will go towards the Mediterranean coast and in Barcelona. This first stage will cover approximately 2500 km in two months. Obviously we will have the time to meet local authorities to get as much information as we can about the using of bicycle as a mean of transport.
SECOND STAGE: FRANCE AND NETHERLANDS

The first city we will touch in France will be the city of Toulouse , than we will go towards the Mediterranean coast until the city of Nice and Monaco. We will return in the centre of the country passing by Lyons and we will go to Paris, where we will spend more time in order to observe the interventions which have been made to facilitate the using of bicycle. Then we will go to Belgium, Luxemburg and Holland. In Holland as well we will have the chance to see one of the most developed cycle track structure of the world. This part of the journey will cover 2500 kilometres in two months.
THIRD STAGE: GREAT BRITAIN AND SCOTLAND

In Great Britain the journey will start in the city of Dover, then we will go towards London. Covering the east part of the country we will go northwards to arrive in the Scottish capital: Edinburgh. After that we will continue southwards and after crossing the English Channel we will enter France once again. The kilometres will be more or less 2400 in two months.
FOURTH STAGE: SOUTH EAST OF EUOROPE (ITALY, CROATIA, BOSNIA E ERZEGOVINA, SERBIA, MONTENEGRO, ALBANIA AND GREECE)

France will be covered again. We will go towards the south east so that we enter Italy through the Alps and arrive in the city of Turin. Then we will go to Genoa and continue by the west coast until we will get the south of the country and the island of Sicily. After that we will cover the Adriatic coast of Italy until Trieste, where we will go southwards again by the other side of the Adriatic coast, arriving in Albania and in Greece. This stage will cover more or less 4000 km in four months.
FIFTH STAGE: CENTRAL EUROPE ( GREECE, BULGARIA, ROMANIA, HUNGARY, CZECH REPUBLIC AND GERMANY)

This stage will start in the capital of Greece, Athens. Then we will go towards the capital of Bulgaria, Sofia, and enter in Romania from the south west. Going northwards we will arrive in The Czech Republic and its capital, Prague. In the last part of this stage we will enter Germany and arrive in Berlin. Then we will get the Danish border. In approximately two months we will cycle 2500 km.
SIXTH STAGE: NORTHERN EUROPE

Starting from the south of Denmark we will arrive in the capital, Copenhagen. Then we will go to Sweden and Norway where, after getting the capital, Oslo, we will go to the city of Bergen. We will enter Sweden again and arrive in Stockholm. In two months 1700 km will be covered.
SEVENTH STAGE: CENTRAL EUROPE (GERMANY, AUSTRIA, SWITZERLAND)
This will be the last stage of the journey. Germany will be covered from the north to the south starting from the city of Hamburg and touching the cities of Bremen, Cologne, Frankfurt, Stuttgart and Monaco. From this city we will go towards Austria until its capital, Vienna. This country will be covered from west to east until the Swiss boundary, passing through Liechtenstein. In the last part of the journey we will cross Switzerland passing through Zurich and ending in Geneva. In this stage the kilometres will be 2400 in two months.
The kilometres will be totally 18000 in sixteen months. Obviously we have to remind that the journey could be different thanks to many factors: the climate, the opportunity to visit other places and some periods of rest. The principal aim of the journey, the observation of the use of bicycle in the European Continent, is the most important thing and it will never be disregarded.
Como citado anteriormente, a Europa apresenta larga tradição no transporte cicloviário. Sem sombra de dúvidas é o continente com a maior malha cicloviária mundial. Por este fato, escolheu-se este continente como sendo o que mais encaixa-se ao objetivo principal do projeto.
Visando facilitar o estabelecimento do roteiro, optou-se por dividi-lo por etapas, concordando com as características físicas e as condiçoes climáticas de cada pais ou região a ser percorrida.
Etapa 1 - Portugal e Espanha

A viagem terá inicio na capital lusitana (Lisboa), partindo-se em seguida com destino ao sul deste pais (Região do Faro) adentrando também a região sul da Espanha. Pretende-se percorrer toda a região sul espanhola até a cidade de Valencia, ingressando-se no interior do pais até a capital Madrid, retornando novamente ao litoral mediterraneo até a cidade de Barcelona. Estima-se percorrer nesta primeira etapa cerca de 2.500 km, num total de dois meses de viagem. Destaca-se que dentro deste período já encontra-se computadas as paradas nas administrações locais de interesse, visando obter-se informações referentes aos objetivos iniciais do projeto.
Etapa 2 - França e Países Baixos

Pretende-se entrar na França pela região de Toulouse, dirigindo-se ao litoral mediterraneo até a cidade de Nice e o Principado de Mônaco. O retorno ao centro do paises dar-se-á via Leon, rumando-se posteriormente à capital parisiense. A este pais será dada uma atenção especial, visto as inúmeras mudanças quem vem sendo implantadas em muitas cidades, e em especial a capital, com relação ao incentivo a transportes alternativos, em especial via bicicleta. Após este países, pretende-se rumar à Bélgica via Luxemburgo, rumando para Holanda. Uma atenção especial também será dada a este pais, considerada como o pais europeu das bicicletas, em função principalmente da malha cicloviária que cobre quase todo seu território. Estima-se percorrer nesta etapa cerca de 2.500 km em aproximadamente dois meses de viagem.
Etapa 3 - Reino Unido e Escócia

Na grande ilha do Reino Unido, a viagem terá início pela cidade de Dover, às margens do Canal da Mancha, continuando até a capital inglesa, rumando-se em direção ao norte via margem leste da ilha até a capital escocesa de Edinburgo. O retorno ao sul da ilha do Reino Unido dar-se-á via margem continental oeste, retornando novamente ao continente europeu via a cidade francesa de Calais (travessia do Canal da Mancha). A quilometragem total a ser percorrida nesta parte insular é de aproximadamente 2.400 km, a serem realizados em dois meses de viagem.
Etapa 4 - Sudeste Europeu (Itália, Croatia, Bosnia e Herzegovina, Sérvia e Montenegro, Albânia e Grécia)

O continente francês será novamente percorrido no sentido noroeste – sudeste, sendo que a entrada na Itália se dará pela região dos Alpes, rumando-se para a cidade de Turim. Logo em seguida rumar-se-á para a cidade litorânea de Gênova, percorrendo-se toda a parte litorânea do Mar Tirreno até a ilha italiana da Sicilia, no extremo sul do país. Uma vez nesta ilha, pretende-se circundá-la totalmente, retornando novamente para o continente. Uma vez mais no continente, rumar-se-á novamente para o norte, via litorânea (Mar Adriático) até a cidade fronterissa de Trieste. A partir desta cidade, ocorrerá um novo retorno litorâneo para o sul, margeando-se o Mar Adriático pela Iugoslávia, Albânia, atingindo-se por fim a Grécia. Nesta etapa, serão percorridos cerca de 4.000 km, em aproximadamente quatro meses de viagem.
Etapa 5 - Europa Central (Grécia, Bulgária, Romenia, Hungria, Eslováquia, República Tcheca e Alemanha)

Esta etapa terá início na cidade Grega de Atenas, seguindo-se diretamente para a capital búlgara Sofia, cruzando-se a Romênia via sua parte sudoeste. Posterior a isto, cruzar-se-á parte central da Hungria, passando pela capital Budapeste. Continuar-se-á a subida pela Europa Central no sentido noroeste passando-se pela Eslováquia, seguindo-se para a República Checa via Praga. A última parte desta etapa resume-se à entrada na Alemanha, passando-se por Berlim, rumando-se até a divisa com a Dinamarca. Nesta etapa serão percorridos cerca de 2.500 km em aproximadamente dois meses de viagem.
Etapa 6 Países Nórdicos (Dinamarca, Suécia e Noruega)

A sexta e penúltima etapa desta viagem, terá início na porção sul da Dinamarca, na região limitrófe com a Alemanha. Serão percorridas as ilhas da porção centro-sul do continente na direção leste-oeste seguindo-se em direção a capital Copenhague. Posterior a isto, entra-se-á na Suécia pela cidade de Malmo, rumando-se para o norte deste país pela porção oeste até a divisa com a Noruega. Em seguida rumar-se-á para a capital norueguesa Oslo, percorrendo-se este continente de oeste para leste até atingir-se a região litorânea, mais precisamente na cidade de Bergen. O retorno ocorrerá praticamente pela mesma via a ser percorrida entre Oslo e Bergen, adentrando novamente a Suécia. Uma vez mais neste país, rumar-se-á para a capital Estocolmo, finalizando-se esta etapa novamente no sul deste continente. Serão percorridos cerca de 1.700 km em dois meses de viagem.
Etapa 7 - Europa Central (Alemanha, Austria e Suiça).

Nesta que é definida como sendo a última etapa da viagem, será percorrida boa parte da Alemanha desde sua porção mais ao norte até o sul. Esta etapa terá início na cidade de Hamburgo, seguindo-se para Bremen, Colonia, Frankfurt, Stuttgart e por fim Munique. Posterior a chegada a cidade de Munique, rumar-se-á para a divisa com a Áustria até a capital Viena. Em seguida todo o país será percorrido no sentido oeste-leste até a divisa com a Suiça, passando-se por Liechtenstein. O último percurso desta viagem será resumido a uma travessia pela Suiça, passando-se por Zurique, terminando-se a viagem em Genebra. Nesta etapa serão percorridos cerca de 2.400 kms em aproximadamente dois meses de viagem.
Desta maneira, serão percorridos cerca de 18.000 km em dezesseis meses de viagem. Há que se destacar que o roteiro pode ser mudado durante a viagem, quaisquer que sejam os fatores (climáticos, possibilidades de se conhecer outros lugares, períodos de descanso, etc), desde que não seja mudado o objetivo principal da viagem, que é de fazer o levantamento atual sobre o transporte cicloviário no continente europeu. Destaca-se ainda que muitas destas possíves mudanças no roteiro, possam estar diretamente relacionadas ao objetivo principal da viagem, acima descrito.
Africa
We left behind Europe, a small part of Asia and more the 20.000 km cycled in these continents. The Eurovias Project was a success and it helped us to understand how the bicycle is considered a mean of transport in many big cities. But we wanted something more, more intense and, why not, also wilder. That’s why we decided to go to Africa. What about cycling in Africa?
Once we had decided our destination, there were still lots of details to arrange, such as the itinerary, the equipment, the money, the time we needed, the safest ways to take. We were still feeling a little bit uncertain, but we knew that the dream was becoming true and that we could manage all that. As far as the itinerary, we opted to go from Cape to Cairo, that is to say from the most austral point until one of the north of Africa. We planned to pass through South Africa, Mozambique, Tanzania, Kenya, Ethiopia, Sudan and Egypt. We estimated more or less one year time, but we were not too rigid about it. We were definitely very elastic as far as time, way and our agenda, but we were sure about our will to know and, in some way, to help the continent cradle of mankind.
We didn’t like the idea of traveling just for traveling. In order to know this continent, we couldn’t get stuck in the wildlife reserve circuit, which is paradoxically restricted to the majority of the local people. How could we find another way to discover the African melting pot from another point of view? The only way is to get in touch with the missions, the volunteers, with all the people who work over here to help the Africans. This is a good way to have a better idea of how Africa really is nowadays. A wider perspective is the only way to be able to do something concretely. Conscious of our logistical and financial limits, seeing that we are traveling by bicycle, we decided to begin. We are cycling and stopping to spend some days with the different missions and organizations we meet and we hope that telling to the people that are following us what we see and experience is another a way to help.
A Europa e uma pequena parte da Asia ficaram para traz, em mais de 20.000 kms pedalados em um ano e meio de viagem. O Projeto Eurovias foi um sucesso, e nos ajudou a entender melhor como a tematica da bicicleta “meio de transporte” vem sendo tratada nas grandes cidades europeias. Porem, queriamos algo mais, mais intenso, e porque nao dizer mais selvagem, em todos os sentidos.
A resposta aos nossos desejos veio atraves de um nome, ou melhor de um continente: Africa!!! Por que nao pedalar pela Africa? Escolhido o destino, faltavam muitos detalhes como que caminho tomar, equipamentos necessarios, dinheiro, tempo disponivel de viagem, rotas mais seguras. Sobravam incertezas, porem de alguma maneira sabiamos que o sonho ja tornava-se realidade, e que eramos capazes para tanto. E o brilho dos nossos olhos denunciava isto mais do que nunca. O caminho veio da forma mais natural possivel, a famosa rota Cape to Cairo, ou seja do ponto mais austral ate um dos paises mais boreais africanos. O traçado seguia a costa leste africana, passando por Africa do Sul, Mocambique, Tanzania, Quenia, Etiopia, Sudao e Egito.
O tempo estimado para a proeza, 1 ano de viagem. Nada de algo muito fixo, rigido. Prazos, agendas e roteiros elasticos eram pre requisitos basicos ao nosso desejo de conhecer e ajudar o mais profunda e intesamente possivel o continente berço da humanidade. Porem viajar por viajar, nao fazia muito mais sentido para nos. Para obter-se uma visão mais precisa do quanto selvagem era a Africa, nao poderiamos ficar presos ao circuito “parques naturais e vida selvagem”, diga-se de passagem, restrito a grande maioria dos nativos. Entao como encontrar um ponto de equilibrio que nos desse uma ideia mais precisa do grande caldeirao africano?
A alternativa : buscar um maior contato possivel com o trabalho voluntario e de ajuda humanitaria que vem sendo desenvolvido aqui. Assim, com certeza teriamos uma visao mais ampla da “Africa Real”. E tendo uma visao mais acurada, poderiamos talvez tentar ajudar de alguma maneira este povo sofrido.
Sabiamos de nossas limitacoes fisicas, logisticas e financeiras. Afinal estavamos viajando de bicicleta e com poucos recursos. A forma mais eficiente encontrada para ajudar, foi a de dividir com as pessoas que nos acompanham tudo o que vemos e vivemos em cima de nossas bicicletas, compartindo assim esta incrivel experiencia que se e viajar por este intenso e ainda selvagem continente.
Trecho 1 – (Africa do Sul) a Windhoek (Namibia)

FROM CAPE TOWN (SOUTH AFRICA) TO WINDHOEK (NAMIBIA)

The point where we started (Cape Town) was also the point where we decided to change our itinerary. Because of what was happening in Kenya in December 2008, the southern coast of south Africa, which is considered to be quite unsafe, and also because of the main wind always blowing from south east, we took the western coast instead of the eastern one. This is why we thought about traveling in Namibia. After ten days of rest, in which we sorted out the new itinerary, we started cycling at the beginning of February 2008, under a very strong summer sun, but helped by the fresh coastal wind, always helping us.
South Africa is beautiful and safe all along the Atlantic coast. It is full of small fishermen towns. Everything was easy until the region of Namaqualand, with its dry highlands and with a strong heat, nearly reaching 40 degrees. Under this powerful sun, we entered Namibia, with his wide desert and few populated landscapes. It has actually one of the lowest densities of population of the planet. We entered this beautiful country and we started cycling in the southern part of the desert, astonished by all its nuances. Despite our struggling for the water, how can we forget the red dunes of Sossusvlei, its never ending roads in the middle of the desert? We reached the coast and the beautiful german city of Swakopmund, on the Atlantic ocean. It was the beginning of April and we had been traveling for almost two months.
After that, we started cycling towards the interior of the country and the high Namibian plateau. We arrived in Windhoek, the nice and quiet capital. After two wonderful weeks spent with the nice friends we met there and waiting for the rainy season to finish in the northern region, we finished this first part of the trip, in which we cycled nearly 2500 km.
O ponto de partida (Cape Town) foi tambem nosso primeiro ponto de mudanca. Trocamos a costa leste pela oeste africana, impulsionados pelas tensoes no Quenia, a falta de seguranca na costa leste sul africana, e pelo forte vento que soprava sempre de sudeste. Assim, a Namibia comecou a figurar em nossos planos pela primeira vez. Depois de dez dias de descanso e preparacao, refazendo o roteiro inicial previsto, partimos no inicio de fevereiro de 2008, sob um forte sol abrasador de verao, amainado apenas pela constante brisa que soprava em nossas costas. A Africa do Sul mostrava-se bela e tranquila em sua costa atlantica, com pequenas vilas de pescadores ao longo do caminho. Tudo tranquilo e facil ate atingirmos a regiao de Namaqualand com suas terras altas e secas, e um calor que beirava os 40 graus. Embalados e quase “derretidos” pelo astro rei entramos na
Namibia, de paisagens amplas, deserticas e pouco populadas. Alias uma das menores densidades do planeta. Entramos neste belo pais e comecamos a viajar pelo deserto em sua porcao mais ao sul, e ficamos maravilhados com todas suas nuances reveladas a nos. Apesar de uma constante luta pela agua, como esquecer as dunas da mais pura areia vermelha de Sossusvlei, estradas infinitamente longas, desertas e puras em sua essencia.
Chegamos a costa, na bela e alema Suakpomond, as margens do Atlantico no inico de abril, completando dois meses de viagem. Depois o retorno ao interior, ao plato namibiano, chegando a Windhoek, a simpatica e tranquila capital. Duas semanas passadas maravilhosamente na presenca de amigos, e uma espera forcada pelo fim da estacoes das chuvas na regiao extremo norte da Namibia, concluiram este primeiro trecho da viagem, onde foram pedalados cerca de 2.500 kms.
Trecho2 – De Windhoek (Namibia) ate Maun (Botswana)

A partida de Windhoek, nao foi nada facil. Os eternos e infinitos encontros e despedidas que de uma maneira ou outra tinhamos que nos habituar. Porem a vontade de voltar a estrada e continuar esta viciosa descoberta era mais forte, maior. Assim comecamos nosso caminho em direcao ao norte namibiano, em direcao ao famoso Parque Nacional Etosha, suas planicies alagadas repletas de animais selvagens.
Um pouco decepcionados com o parque e cada vez mais maravilhados com a paisagem, chegamos a Rundu, porta de entrada da Faixa Caprivi, um regiao que foi motivo de disputa por Angola, Namibia, Botswana e Zambia por muito tempo. Mas do que isto, estavamos finalmente entrando em uma das regioes mais belas da Africa, conhecida mundialmente por suas belezas naturais: o Delta do Rio Okavango. E logo apos cruzarmos a fronteira com a Botswana, tinhamos a sensacao de ter entrado em um grande zoologico, so que a ceu aberto.
Como auge deste inesquecivel experiencia um encontro a beira da estrada com um enorme leao. Adrenalina a mil, chegamos a Maun, porta de entrada do Delta, anciosos por poder conhecer um pouco mais uma das grandes maravilhas da natureza. Porem nossas expectativas foram barradas por um turismo carissimo, inacessivel a nos.
A dura lei do “preco alto, baixo impacto”, porem necessaria, em nome da preservacao da natureza nos desanimou um pouco. Entretanto, fomos salvos novamente pelas nossas inseparaveis bicicletas. Nao nos pergunte aonde e como, o fato e que conhecemos sempre as pessoas certas nos momentos em que mais precisamos. E assim conhecemos o belo Moremi Game Reserve, porta de entrada do famoso Delta do Okavango, finalizando esta etapa. Neste trecho percorremos mais de 1.500 kms em cerca de um mes de viagem.
Trecho 3 – De Maun (Botswana) ate Lusaka (Zambia)

Lutando sempre contra um forte vento vindo sempre de leste, rumamos em direcao a fronteira de Botswana com o Zimbabwe. Atravessar mais uma fronteira? Nem pensar…Nao por medo de animais selvagens, mais por temor a um bicho-homem chamado Robert Mugabe, a fera mais temivel do Zimbabwe. Assim, optamos pelos animais chamados “irracionais”. E esta mostrou-se a opcao mais certa. De Nata a Kasane, ja na fronteira com a Zambia, 300 kms pedalados em inumeras reservas e areas de preservacao. Como resultado, o encontro natural com elefantes, bufalos, e um leopardo as margens da estrada. Conforto e seguranca ao pedalar e ao anoitecer?
Pouca, muito pouca…Ainda mais quando soubemos que a poucos meses atraz, um alemao de bicicleta fora encuralado por um leao em sua barraca por mais de 4 horas!!! Porem fizemos o belo caminho, e percebemos que apesar de tudo, o “bicho homem” ainda nos atemoriza mais do que qualquer outro animal. Em Kasane, um mundo a parte, uma cidade fora dos padroes. Entrada principal do Parque Nacional Chobe, Kasane esta as mergens do parque, com o pequeno detalhe que nao ha cercas separando os animais dos cidadoes!!! E esta mistura as vezes nao e sempre sadia…Cruzamos o belo Rio Chobe e entramos em nosso quarto pais africano : a Zambia. E com este novo pais uma bela supresa. Pessoas mais felizes, abertas e hospitaleiras. E adivinhem : os zambianos usam e muito a bicicleta como meio de transporte.
Na Zambia tambem passamos a conhecer um pouco mas o trabalho de ajuda humanitaria que aqui vem sendo desenvolvido, por ONG’s, missoes, igrejas e instituicoes de todo o mundo. E por falar em missoes e igrejas, estas foram o nossos principais pontos de apoio ao longo do caminho.
As pessimas condicoes da estrada eram sempre compensadas pela alegria do povo. De Maun a Kasane foram mais de 600 kms e de Kasane a Lusaka mais 500, totalizando assim 1100 kms
Trecho 4 – De Lusaka (Zambia) ate Lilongwe (Malawi)

Depois de uma semana de descanso na agitada Lusaka, na casa de amigos italianos feitos ao longo do caminho, partimos determinados a cumprir os 700 kms que nos separavam da fronteira com o Malawi, em 10 dias de viagem. E fizemos!!! Porem nao foi uma tarefa facil. A media pode nao parecer extraordinaria (cerca de 70 kms diarios) porem as dificies condicoes impostas pela natureza fizeram toda a diferenca. Mas uma vez o vento, o eterno vento vindo de leste insistia em dificultar nosso progresso. E para completar, montanhas e mais montanhas…Porem nem tudo estava perdido. Como recompensa uma paisagem de tirar o folego literalmente. O povo alegre e hospitaleiro, frutas ao longo do caminho e a continuo contato com missoes religiosas e outras entidades de ajuda humanitaria davam-nos a energia necessaria ao proseguimento da viagem.
Percebiamos que a poucos metros da estrada principal existia um outro mundo, completamente diferente. Infelizmente uma realidade muito dura, dificil. Pobreza, doencas, fome. deixaram de ser rotulos africanos conhecidos no ocidente e passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Assim, a pedalada ficou de lado, dando espaco a um trabalho mais profundo de reconhecimento do que se faz por aqui para amenizar a dura realidade enfrentada pela maioria dos africanos.
Depois de 8 dias em Chipata na presenca de amigos voluntarios italianos, cruzamos a fronteira com o Malawi, atingindo sua capital Lilongwe em dois dias de viagem. No total pedalamos cerca de 1000. kms em 20 dias de viagem.
Trecho 5 – De Lilongwe (Malawi) ate Dar Es Salaam (Tanzania)

Este trecho guardou inumeras surpresas. A comecar com o roubo de nossos passaportes, cartões de credito, maquinas fotográficas e muito mais na beira do paradisiaco lago Malawi. Felizmente nao levaram nossas bicicletas, nem tao pouco nossa determinação. Com a ajuda e suporte dos amigos nos reerguemos e seguimos viagem em direção a Tanzania, margeando o lago que da nome ao país.
Após a entrada na Tanzania, um país totalmente diferente, verde, com montanhas. E que montanhas!!! Estamos entrando pela primeira vez na parte montanhosa do Rift Valley, a falha tectonica que singra a margem leste africana. Chegamos assim a mais de 2000 metros, passando por Mbeyae Makambako. E e nesta pequena cidade mais uma grande surpresa: a primeira malária da viagem, e em Francesca. Mas nada sério, e após um breve descanso seguimos viagem visitando aqui e acola missões católicas administradas pelos simpáticos carmelitanos vindo da Índia.
Nossa chegada em Dar Es Salaam foi tranquila, e após cinco meses sem ver o mar, finalmente chegamos ao Oceano Índico. Isto mesmo, haviamos cruzado do Atlântico ao Índico em bicicleta. Neste trecho pedalamos cerca de 1500 quilometros e um mês e meio de viagem, considerando ai a longa parada para se refazer do roubo.
Trecho 6 – De Dar Es Salaam (Tanzania) ate o norte do Quenia


Após um longo e merecido repouso na aprazivel Dar Es Salaam, com direito a muito sol e banho de mar, continuamos nosso roteiro de “praia”. Em nada melhor do que Zanzibar. Bom, a ilha e bela, mais muito turistica, o que nos decepcionou um pouco. Nesta ilha, um paraíso tropical, nossa viagem teve uma nova mudança.
Francesca decidira parar de pedalar por um tempo. Regressou a Dar Es Salaam e deu início a um belo trabalho de voluntariado junto a meninos de rua. Passou a ensinar um pouco de sua arte teatral, a quem ja nasceu ator por natureza e por falta de opção.
Continuei assim a viagem só, navegando em direção a Pemba, outra ilha no Índico, ao norte de Zanzibar. Percorri assim a pequena ilha de sul a norte, onde peguei uma embarcaçãoo local a Tanga, no litoral tanzaniano. Segui viagem rumo ao monte Kilimanjaro, a maior montanha do continente e tive a oportunidade de conhecer a região de Arusha e entornos.
Em Arusha, a visita de Francesca trouxe-me conforto e amor, ajudando-me assim a recuperar uma recente e mal curada malaria. Novamente so, parti, e entrei em um outro país. Havia chego ao Kenia. Uma rápida passagem pela agitada Nairobi para obter-se o visto da Etiopia, e rumo norte. Em três dias mais de pedal cheguei a Isiolo, sempre abençoada pelo Monte Quenia, a segunda montanha mais alta da África. Estava na porta de entrada do desertico e selvagem norte queniano, ainda uma das fronteiras menos exploradas de todo o continente.
Neste trecho da viagem foram pedalados cerca de 1500 kms em um mês de viagem.
Trecho 7 – O norte queniano ate a Etiópia.

Neste trecho um capítulo a parte. Uma outra viagem, uma outra história. Estava afinal entrando em uma das fontreiras menos exploradas de toda a África. Os motivos de tamanho isolamento : falta de estradas, clima semi-desertico, tribos nomades e ainda extremamente guerreiras e combativas, falta de água. Enfim, um lugar ainda único, realmente selvagem. Assim comecei minha aventura, e após o primeiro dia da partida de Isiolo, não encontrei sequer um carro em todo o caminho até a Etiópia. E olha que do lado queniano foram cerca de 800 kms.
A distância pode não parecer muita, mais as condições encontradas fizeram este número triplicar. Depois do primeiro dia descobri também que não encontraria estradas, apenas trilhas espalhadas por uma savana sem fim. Médias horarias entre 9 e 10 kms eram normais e sacrificantes. Pedalar virou muitas vezes um detalhe, e empurrar e carregar a bicicleta nas costas uma constante. Porém a natureza encontrada exuberante, intocada, explendida. Visuais exclusivos do Rift Valley jamais sairam da minha memória.
A chegada ao Lago Turkana, um sonho…Galgando duramente cada jornada diária, cheguei finalmente do lado etiope. Em mais 300 kms de pedal por estradas razoavelmente boas chegara a Arba Minch, principal cidade do sul da Etiopia, exausto e com um alto preço à ser pago pelo esforço sobre humano realizado no Quenia : havia contraido Tifo, uma doença transmitada por picada de inseto que pode ser muito grave, bem como sérios problemas intestinais provocados por vermes. Novamente com Francesca, me preparei para uma das últimas etapas da viagem rumo ao norte etiope e finalmente ao Sudao, meu ponto final da viagem africana.
Neste trecho da viagem foram pedalados cerca de 800 kms no lado queniano mais 450 kms no lado etiope, totalizando 1250 kms em três semanas de pedal intenso.
Trecho 8 – De Arba Minch (Etiopia) até Gonder (Etiopia).

Este trecho recomeçou com a presenca de Francesca, após um curto período de separação.
A partida de Arba Minch, foi precedida de uma dura recuperação de tifo e vermes instestinais juntos. Começamos também a encarar as difíceis e duras montanhas etiopes. Francesca a mais tempo sem pedalar sentiu mais o recomeço, que seguiu o seu ritmo natural até a chegada na capital Addis Ababa.
Em Addis uma parada para resolver problemas com os vistos do Sudão e Egito, e para descanso. Addis também era o ponto final da pedalada de Francesca na África. De aqui um vôo direto para a Itália, depois de um ano de África. Porem antes, mais um período de trabalho voluntário teatral com os meninos de rua etiopes.
Sozinho novamente segui o difícil e duro caminho das altas terras do norte etiope passando pelas belas cidades de Bahir Dar e Gonder. No total foram percorridos mais de 1200 kms em um mês de viagem, contando-se ai as duas semanas de parada na grande e caótica Addis.
Trecho 9 – De Gonder (Etiopia) ate Wadi Halfa, norte do Sudão.

De Gonder, partida em direcao ao Sudão, o tão sonhado Sudão. Antes porém um belo e difícil trecho entre Gonder e a fronteira sudanesa. Finalmente tive a tão sonhada descida das altas terras etiopes.
Já no Sudão, uma planície sem fim, com retas igualmente sem fim e um forte e constante vento vindo sempre de norte. Passada a fronteira de Gallabat segui rumo a El Gedaraf, passando por Madani, chegando na grande capital Khartoum. Khartoum e uma grande e dispersa cidade, verde, ponto de encontro dos famosos Nilo Branco e Nilo Azul, um dos maiores rios do planeta.
No Sudão desde o início comecei a usufruir do que o pais tem de melhor: a hospitalidade e carinho de seu povo. Da capital iniciei minha longa e solitária jornada pelo Deserto Nubiano, norte sudanes. Fui forçado também a mudar minha rotina, começando a pedalar a noite, evitando assim o forte vento norte. Assim, dia após dia cheguei em Dongola, as margens do Nilo Norte.
De Dongola a Wadi Halfa, uma tarefa um pouco mais difícil, com poucos trechos em asfalto. Entrava cada vez mais nas entranhas deste belo país, desta bela gente. E ajudado por uma hospitalidade sem precedentes cheguei finalmente a Wadi Halfa, as margens do Lago Nasser (Rio Nilo), porta de entrada do Egito.
Neste trecho foram pedalados cerca de 300 kms em lado etiope e mais de 1500 kms no Sudão, totalizando 1800 kms em 4 semanas de pedal incluindo-se aí as paradas na capital e Dongola.
